segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Em defesa do Jornalismo, da Sociedade e da Democracia no Brasil


Manifesto à Nação

Em defesa do Jornalismo, da Sociedade e da Democracia no Brasil

A sociedade brasileira está ameaçada numa de suas mais expressivas conquistas: o direito à informação independente e plural, condição indispensável para a verdadeira democracia.

O Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes a julgar o Recurso Extraordinário (RE) 511961 que, se aprovado, vai desregulamentar a profissão de jornalista, porque elimina um dos seus pilares: a obrigatoriedade do diploma em Curso Superior de Jornalismo para o seu exercício. Vai tornar possível que qualquer pessoa, mesmo a que não tenha concluído nem o ensino fundamental, exerça as atividades jornalísticas.

A exigência da formação superior é uma conquista histórica dos jornalistas e da sociedade, que modificou profundamente a qualidade do Jornalismo brasileiro.

Depois de 70 anos da regulamentação da profissão e mais de 40 anos de criação dos Cursos de Jornalismo, derrubar este requisito à prática profissional significará retrocesso a um tempo em que o acesso ao exercício do Jornalismo dependia de relações de apadrinhamentos e interesses outros que não o do real compromisso com a função social da mídia.

É direito da sociedade receber informação apurada por profissionais com formação teórica, técnica e ética, capacitados a exercer um jornalismo que efetivamente dê visibilidade pública aos fatos, debates, versões e opiniões contemporâneas. Os brasileiros merecem um jornalista que seja, de fato e de direito, profissional, que esteja em constante aperfeiçoamento e que assuma responsabilidades no cumprimento de seu papel social.

É falacioso o argumento de que a obrigatoriedade do diploma ameaça as liberdades de expressão e de imprensa, como apregoam os que tentam derrubá-la. A profissão regulamentada não é impedimento para que pessoas – especialistas, notáveis ou anônimos – se expressem por meio dos veículos de comunicação. O exercício profissional do Jornalismo é, na verdade, a garantia de que a diversidade de pensamento e opinião presentes na sociedade esteja também presente na mídia.

A manutenção da exigência de formação de nível superior específica para o exercício da profissão, portanto, representa um avanço no difícil equilíbrio entre interesses privados e o direito da sociedade à informação livre, plural e democrática.

Não apenas a categoria dos jornalistas, mas toda a Nação perderá se o poder de decidir quem pode ou não exercer a profissão no país ficar nas mãos destes interesses particulares. Os brasileiros e, neste momento específico, os Ministros do STF, não podem permitir que se volte a um período obscuro em que existiam donos absolutos e algozes das consciências dos jornalistas e, por conseqüência, de todos os cidadãos!

[+] FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas

Sindicatos de Jornalistas de todo o Brasil

5 Comments:

  • Po..mto loco o blog..tão de parabéns vocês dois...contéúdo fodão mesmo!! Conheci aqui a partir do só pedrada..nervoso!

    Meu nome é Silóque, sou do interior de SP , tenho um grupo de Rap Alternativo chamado O Que Não Presta e acabamos de gravar um democlip! Queria saber se há possibilidade de vcs colocarem uma materiazinha sobre ele pra ajudar na divulgação, caso vcs curtam o som!!

    Meu e-mail é milenkojuggalo@hotmail.com

    Mta paz...e parabéns, continuem assim com conteúdo e mta informação boa!!

    Abraços!

    By Blogger Silóque, at 3:27 PM  

  • Sinceramente, acho que antes era melhor. Um jornalismo mais pessoal, mais subjetivo, menos robótico e controlado. Os jornalistas ainda tinham opinião e essa baboseira de "total imparcialidade", de apenas levar a informação, ainda não dominava os meios de comunicação.

    Hoje o tal padrão de jornalismo, no qual se finge ser 100% imparcial, sem opinião, além de ser cansativo, é no mínimo um insulto à inteligência de todos nós. Ao se declarar imparcial a Globo e as demais empresas que controlam a grande mídia fazem apenas uma grande brincadeira.

    Podemos ter ganhado em profissionalismo, em alcance, etc. Mas no mais, na qualidade, do que adianta essa padronização cínica e infantil? Acho que ao comprar informação, o leitor ou espectador não quer apenas o café com leite, aquela informação mastigada que o trata como um incapaz. Ele quer algo mais. E, infelizmente, isso não se obtém nos cursos de jornalismo de hoje, com um baixo nível de formação, espelhados em um sistema falido e esgotado, que a cada dia se aprofunda mais em uma crise da qual não se sabe como fugir. Já em 90, em uma crônica para a “Imprensa”, Lucas Mendes apontava as falhas desse esquema de importação de fórmulas estrangeiras para o jornalismo nacional. Dezoito anos depois, as críticas só podem ser intensificadas.

    Os fantoches engomados e maquiados não funcionam mais. As transcrições superficiais e impessoais não são mais interessantes. Não se quer mais esse suposto jornalismo, com ausência de opiniões, fortalecido pelos currículos dos diversos cursos espalhados pelo Brasil. Por que é preciso um pedaço de papel para que eu passe informações e dê minhas opiniões? Para produtores e pessoal de logística, eu entendo tal necessidade. Mas no mais, pura reserva de mercado.

    PS. Não quero ofender ninguém que tenha se formado em jornalismo ou dizer que seus currículos são inúteis. Meu irmão é formado em jornalismo pela PUC-Rio e, para sua ocupação, o diploma é de total valia, já que lhe ajudou a aprimorar sua composição de texto. Mas, sinceramente, não vejo porque exigir esse papel de conclusão de curso pode ser bom =).

    By Blogger Eduardo, at 7:37 PM  

  • nossa cansei de ler o baita testo dessa criatura..rsrsrsrs

    By Blogger nanda ='P, at 11:52 AM  

  • Coment gigante...

    Concordo quando afirmam que a qualidade do jornalismo vai decair se o diploma não for obrigatório. Tudo bem que algumas pessoas têm o dom da escrita, da fala, enfim, nesse caso não basta apenas isso! É preciso se saber o prático e o teórico. A segunda parte só se encontra fazendo um curso, o que evita também que se cometa gafes. Além disso, a obrigatoriedade evita que Carla Perez e afins sejam jornalistas (mesmo que por um dia).
    Sou totalmente contra obrigatoriedades, mas nesse caso acho que é benéfico para o jornalismo e conseqüentemente para a sociedade.
    É bem verdade que a universidade não garante a formação de bons profissionais, mas é um passo importantíssimo.
    E não vamos dizer que estaremos inibindo "talentos", pois o acesso a faculdade (particular, é verdade) nunca foi tão fácil. Em SP, pelo menos, temos universidades que oferecem muitas bolsas. Talvez se fôssemos um país desenvolvido, que dá atenção a educação, não precisaríamos disso, mas as pessoas já não têm o mínimo, imagina dar esse "poder" à elas. Afinal, é fato que a mídia é um poder, por mais que devesse ter apenas o papel de "esclarecedor", "investigador" etc.
    O jornalista precisa ter ética e saber proteger sua fonte e sua informação, se você vira jornalista da noite do dia pode simplesmente dizer: ética? Sim, eu tenho a minha, mas minha profissão, não!

    Ps: Parabéns Camila, mandou bem!

    By Blogger Eduardo Ribas, at 6:10 PM  

  • A seleção ficaria a cargo do empregador ué. "Carlas Perez" não seriam jornalistas simplesmente porque não haveria espaço para elas. E eu não sou contra o fim dos cursos de comunicação. Só acho que não precisava ser obrigatório. Assim, dava espaço para todos, sem a burocracia vazia =).

    By Blogger Eduardo, at 9:39 PM  

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